Programas para a Educação e tecnologias nos séculos XX e XXI

Na perspectiva de promover a inclusão digital nas escolas, especialmente entre a população rural, que tinham menos acesso à internet, foram criadas diversas políticas de ensino com o objetivo de reduzir a exclusão digital. Isso porque grande parte da população brasileira não tem acesso adequado à internet.  O debate sobre inclusão digital teve início com a publicação do Livro Verde do Programa Sociedade da Informação, mas foi apenas em 2007, com a reformulação desse programa, que as ações começaram a ser efetivamente incorporadas às redes escolares. A proposta visava contribuir para a inclusão digital por meio da ampliação do acesso a computadores e a outras tecnologias digitais, beneficiando tanto a comunidade escolar quanto a população do entorno das escolas (Brasil, 2007). O primeiro projeto criado como política pública voltada à inclusão digital foi o Programa Um Computador por Aluno (UCA)  que distribuía laptops para os estudantes. Essa iniciativa beneficiou diversas escolas, embora não tenha alcançado todas, e tinha como objetivo melhorar as práticas pedagógicas, incluindo os alunos mais pobres na cultura digital. Após o UCA, surgiram outros programas voltados à formação docente, como o Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), que oferecia cursos a distância. No entanto, essa modalidade dificultava a participação de muitos professores, principalmente os que viviam em áreas com pouca infraestrutura. Outro exemplo foi o Projeto Computador Portátil para Professores, que buscava equipar os docentes, mas também encontrou dificuldades de implementação. Durante o século XX e XXI, várias políticas públicas foram c riadas com o intuito de atender às necessidades da população. Contudo, na prática, essas políticas muitas vezes foram lentas, ineficientes ou mal executadas. Embora muitos estudantes tenham tido contato com computadores dentro das escolas, o uso da tecnologia era, em muitos casos, limitado a momentos de pesquisa ou entretenimento. Isso ocorreu porque muitos professores não receberam formação adequada para utilizar a tecnologia de maneira pedagógica e significativa em suas aulas. Um exemplo claro pode ser visto em uma reportagem do Jornal Hoje, em 2007, sobre o programa UCA. Nela, observa-se que os alunos se tornavam apenas consumidores de conteúdo, enquanto os professores, por falta de preparo, não conseguiam utilizar os recursos tecnológicos para potencializar o ensino. https://youtu.be/_f9Fdj_Gu9c?si=gtgQWSv9LOLdZACC. Dessa forma, percebe-se que a simples criação de políticas públicas não garante, por si só, a inclusão digital. É necessário planejamento, infraestrutura adequada, conexão de qualidade, equipamentos em número suficiente e, principalmente, formação contínua para os professores.                                                        Apropriar-se dessas tecnologias como uma mera ferramenta, do meu ponto de vista, é jogar dinheiro fora. Colocar computador, recursos multimídia e não sei mais o quê para a mesma educação tradicional, de consumo de informações, é um equívoco. Ou nós trazemos essas tecnologias com a perspectiva de modificar a forma de como se ensina e de como se apreende  e isso significa, fundamentalmente, entender a interatividade e a possibilidade da interatividade como sendo o grande elemento modificador dessas relações, ou vamos continuar formando cidadãos que são meros consumidores de informações. O que nós precisamos e essa é a chave do que eu defendo é formar cidadãos produtores de cultura e de conhecimento. E, para isso, a tecnologia é fascinante. (PRETTO apud DIAS, 2006). Dessa maneira, é imprescindível que nós, discentes universitários, que temos hoje maior facilidade de acesso a uma formação de qualidade, estejamos atentos às diversas possibilidades que a tecnologia pode oferecer para qualificar nossas metodologias de ensino. Além disso, é fundamental termos a consciência de que a tecnologia não substitui o professor, mas pode substituir aquele que não souber utilizá-la de forma crítica e pedagógica.


Comentários

  1. ''a simples criação de políticas públicas não garante, por si só, a inclusão digital'' fato!! Parece que os governantes estão mais dispostos em promover slogans, do que soluções concretas. Milhões de estudantes permanecem a margem da inclusão digital e do uso de acesso a direitos básicos, porque como vocês mencionaram, não há planejamento, infraestrutura, conexão de qualidade, entre outras coisas. Parabéns pela análise!!!

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  2. Um ponto essencial que vocês trouxeram foi sobre como simplesmente entregar computadores, como no programa UCA, não resolve o problema da inclusão digital, principalmente se faltar infraestrutura e formação adequada para os professores. Também acho essencial repensar a maneira como ensinamos, para que a tecnologia não seja usada só para passar informação, mas para estimular a criação e o pensamento crítico dos alunos. Como futuros educadores, precisamos estar preparados para usar a tecnologia de forma consciente, porque ela não substitui um professor que sabe realmente utilizar e ensinar.

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  3. Nesse sentido analítico do post, observamos várias lacunas no planejamento desses programas de inclusão digital. Eles foram políticas de governo partidárias, criadas durante o mandato e que não efetivaram uma lei que cumprisse os discursos e, como destacado no post precisamos lutar por projetos que possuam análise das dificuldades da população, formação continuada para o Ensino e investimentos em equipamentos que atendam à todos.
    Parabéns pelo post!
    Ass. Ângela

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  4. É realmente admirável a forma que vocês mergulham no assunto, ainda mais por ser algo que, é perceptível, afetou a formação de vocês... Adorei o texto e as críticas presentes nele, concordo que é necessário mudanças nas formações e nas formas que as políticas públicas são aplicadas nas escolas.

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  5. Muito bem, meninas. Achei que abordaram bem a questão das políticas públicas na educação. É interessante saber os direitos que temos de participar dos programas ofertados pelo Governo e pelo Estado, direcionados à educação. No entanto, é necessário ficarmos atentos às lacunas que existe, pois, na lei pode falar uma coisa e na realidade de cada um isso pode ser bem diferente, o que foi bem abordado por vocês.

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  6. Gente, achei que vocês elaboraram o tema de uma forma muito interessante! Ele foi não apenas bem elaborado mas também trouxe muitas informações novas, certamente temos que utilizar das possibilidades que a tecnologia nos abre!

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  7. Um texto repleto de informações necessárias, essa discussão sobre inclusão nas escolas públicas (principalmente rurais) mostra que essa tentativa de incluir ainda passa por muitos desafios. É importante nos engajados nessas discussões, só assim elas tomarão forças para que possamos ter de fato uma inclusão digital efetiva.

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  8. Elaine e Ananda, tenho gostado muito da forma como estão estruturando e argumentando sobre os temas debatidos na disciplina. Nessa reflexão, vocês iniciam com um equívoco: "Na perspectiva de promover a inclusão digital nas escolas, especialmente entre a população rural, que tinham menos acesso à internet, foram criadas diversas políticas de ensino com o objetivo de reduzir a exclusão digital." Não sei de onde tiraram essa informação, mas trabalhamos com um texto que aborda sobre as politicas públicas de inclusão digital nas escolas. O texto aborda faz uma análise das políticas públicas para inclusão digital nas escolas brasileiras, portanto, não trabalhamos sobre políticas públicas de ensino, pois essa seria outra discussão que não está na ementa desta disciplina.

    Vocês até aqui fizeram boas reflexões, mas esse texto temos muitos problemas de compreensão e de leitura. Quero que voltem ao texto de Bonilla e vejam que ela diz que o Livro Verde do Programa Sociedade da Informação no Brasil, foi lançado em 2000 e não em 2007 como vocês afirmam e que tinha como objetivo assegurar que a economia brasileira tivesse condições de competir no mercado mundial. Vocês sinalizam que o programa foi reformulado e que " A proposta visava contribuir para a inclusão digital por meio da ampliação do acesso a computadores e a outras tecnologias digitais, beneficiando tanto a comunidade escolar quanto a população do entorno das escolas". Acho que estão confundindo o Livro Verde com o Proinfo - pergunto: de onde tiraram essas informações?

    Depois vocês afirmam que - "O primeiro projeto criado como política pública voltada à inclusão digital foi o Programa Um Computador por Aluno (UCA)". Não foi isso que mostramos em aula e nem é isso que Bonilla discute no Texto. Antes desse programa tivemos o Proinfo com esse objetivo. Quando trazem a reportagem do jornal hoje, porque não criaram um hiperlink? Vocês podem dizer: Ah, Prof. Sule, a gente não sabe fazer isso! Mas, pergunto: procuram saber como faz? Da forma como colocam não temos um hiperlink. Atentem que até agora não estão avançando nos aspectos para explorar imagem, link, vídeo ou ilustração para enriquecer a postagem, pois estão explorando apenas uma linguagem que é a imagem em formato de desenho.

    Outra coisa, nessa postagem, vocês estão trazendo ideias de Nelson Pretto, sem referenciá-lo, e isso é plagio. Quando trazem " Apropriar-se dessas tecnologias como uma mera ferramenta, do meu ponto de vista, é jogar dinheiro fora. Colocar computador, recursos multimídia e não sei mais o quê para a mesma educação tradicional, de consumo de informações, é um equívoco. Ou nós trazemos essas tecnologias com a perspectiva de modificar a forma de como se ensina e de como se apreende e isso significa, fundamentalmente, entender a interatividade e a possibilidade da interatividade como sendo o grande elemento modificador dessas relações, ou vamos continuar formando cidadãos que são meros consumidores de informações. O que nós precisamos e essa é a chave do que eu defendo é formar cidadãos produtores de cultura e de conhecimento. E, para isso, a tecnologia é fascinante. (PRETTO apud DIAS, 2006)." e colocam como uma citação indireta. Contudo, vocês não estão trazendo as ideias a partir daquilo que vocês compreenderam. E sim, copiam na integra, e quando fazem isso, estão realizando uma citação direta, que precisa ser sinalizada com aspas. Se não sabem como fazer uma citação direta, estou aqui para ajudar, mas precisam sinalizar a dificuldade para que eu posso ensinar, certo? bjos

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